Ordo Fratrum Minorum Capuccinorum PT

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updated 8:03 AM UTC, May 30, 2024

Novo venerável capuchinho

No dia 14 de março de 2024, o Santo Padre recebeu em audiência o Cardeal Marcello Semeraro, Prefeito do Dicastério para a Causa dos Santos, e autorizou-o a promulgar o Decreto super virtutibus do Servo de Deus. Fr. Ante Tomičić, professo da Ordem dos Frades Menores Capuchinhos. Com este Decreto, se reconhece e se declara que o Servo de Deus, Fr. Ante Tomičić, viveu as Virtudes teologais, a Fé, a Esperança e a Caridade para com Deus e para com os outros, bem como as Virtudes Cardeais, a Prudência, a Justiça, a Fortaleza e a Temperança, estas vividas em grau heroico.

O Servo de Deus, numa época difícil e num território, por várias vezes dividido e atravessado por guerras infinitas, não se deixou perturbar, mas, consciente da infinita misericórdia de Deus e da presença real do Senhor Ressuscitado na Eucaristia, soube viver ao mesmo tempo o acolhimento simples e fraterno das pessoas, por vezes até as mais difíceis, e as situações mais cruas e duras como a violência de outros homens entre si.

A sua austeridade na busca de uma vida de ascese, feita de renúncias e abstinências, não foi apenas um instrumento de penitência, mas uma resposta autêntica à misericórdia que o Senhor lhe tinha mostrado. Assim como, as suas poucas palavras ou, muito mais, o seu silêncio, aprendido na escola de Nossa Senhora, tiveram um efeito profundo naqueles que encontrava, restaurando a alegria que os acontecimentos da vida por vezes teivesse destruído ou apagado.

O Servo de Deus nasceu em Razbojine (Croácia), no dia 23 de março de 1901, era o nono de onze filhos. Em 31 de março de 1901 foi batizado com o nome de Josip. Criado pelos padrinhos de batismo, que não tiveram filhos, aprendeu com eles a ler e escrever e também as primeiras orações. O dom de uma fé simples. No final dos estudos primários foi-lhe confiado o rebanho da família.

Na adolescência, a leitura do livro Os Sonhos de Maria, o fez compreender a doçura da infinita misericórdia de Deus diante do reconhecimento de si mesmo como pecador. A partir daquele momento, a oração foi a sua “ocupação mais querida”, gerando nele o desejo da vida consagrada. Tendo encontrado o endereço dos jesuítas de Varaždin, escreveu-lhes declarando a sua busca vocacional. Os Jesuítas encaminharam-no aos Capuchinhos por considerá-lo mais adequado ao seu estilo de vida. Assim, Josip, de dezoito anos, foi acolhido em Varaždin para um tempo de experiência e em 27 de dezembro de 1919 foi admitido no noviciado e recebeu um novo nome de Fr. Ante.

A vida do noviciado, porém, não parecia corresponder às expectativas do jovem Josip que havia imaginado muitas outras austeridades, por isso, quando chegou a primavera, deixou o noviciado e começou a procurar uma vida de ascetismo, solidão e oração, como aquela de João Batista. Seguiram-se dois meses de busca infrutífera. Seu confessor, Mons. Josip Lang, bispo auxiliar de Zagabria, aconselhou-o a agir com humildade e voltar para os Capuchinhos. No dia 20 de novembro de 1920, o Servo de Deus regressou ao noviciado de Varaždin. Para surpresa dos frades, foi readmitido ao noviciado, e ao final deste, fez a primeira profissão, em 21 de novembro de 1921.

Seguiram-se anos intensos de serviço às fraternidades. Frade mendicante em Podravina, cozinheiro em Karlobac, esmoler em Varaždin, sacristão em Split, onde fez a profissão perpétua em 11 de fevereiro de 1925. Transferido para Dubrovnik como esmoler, lá permaneceu dez anos. Depois, novamente em Varaždin e Zagreb, como esmoler, para arrecadar fundos para a construção dos internatos São José e São Miguel.

Entretanto, eclodiu a Segunda Guerra Mundial, Voltando-se para esta região da Europa com a captura de Belgrado pelo Exército Vermelho, em 1944 e de Ístria em 1945. Nesse mesmo ano, o Servo de Deus deixou Zagreb para regressar a Varaždin como porteiro. Uma breve parada, e a obediência o levou a Rijeka, onde permaneceu por 34 anos até sua morte.

No clima da Guerra Fria, mesmo em Rijeka todas as atividades religiosas eram vistas com suspeita e até a pedir esmola era proibido. Como porteiro e sacristão, o Servo de Deus esteve em contato diário com muitas pessoas, tornando-se rapidamente uma referência preciosa pela sabedoria dos seus conselhos, pela sua caridade para com os pobres e pelo seu acolhimento fraterno.

Com o passar dos anos, a saúde do Servo de Deus começou a declinar. Em 30 de março de 1979 foi internado pela primeira vez e passou por diversas cirurgias. Outros seguiram, sempre vividos em silêncio e com seu sorriso inconfundível. Faleceu no dia 25 de novembro de 1981, na enfermaria do convento, assistido pelos frades e por uma religiosa enfermeira.

O funeral, apesar da intolerância do regime comunista, contou com a participação do Arcebispo de Rijeka, Mons. Josip Pavlišić, muitos frades capuchinhos, sacerdotes, religiosas e uma multidão de fiéis. No dia 3 de abril de 1997, os restos mortais do Servo de Deus foram transferidos para a cripta da igreja dos capuchinhos de Rijeka.

A apresentação, investigação e estudo de um fato cientificamente inexplicável (milagre), segundo as normas do Departamento das Causas dos Santos, levaria à beatificação do Venerável Servo de Deus Fr. Ante Tomicić.

Última modificação em Quarta, 20 Março 2024 11:36